Tecnologia 4.0, humanos 1.0

Você se lembra a última vez que se deixou ser olhado no olho, viu seu melhor amigo pessoalmente ou fez uma foto e não postou ?



Foto de Bradley Hook no Pexels


Nessa sociedade de filtros que criamos para nós, somos todos iguais, sempre felizes, pagamos só no débito, fitness, viajados e, aos poucos, viramos as máquinas que tanto tememos, emoções artificias em corpos de inteligência, big data que vem de stalk, não de talk*.


Estamos online, mas não falamos; sentimos, mas filtramos, somos inseguros, mas não demonstramos, temos medo, e bloqueamos.

Nos esquecemos de correr riscos, olhamos o Waze qual o melhor trajeto para gastar menos tempo, abrimos o Tinder com pressa em busca do próximo amor de nossas vidas, olhamos no trip advisor onde comer e a recomendação no Netflix para o que assistir.


Nos esquecemos do toque e da fala a média que toda palavra é calculada e revisada por 5 pessoas antes de enviar aquela mensagem, escrevemos “eu te amo” e “tenho saudades” mas não nos vemos.. mas, não parece que foi ontem que almoçamos juntos? Na verdade era só um Stories que vimos uns dos outros semana passada.


Valorizamos mais a foto do que o gosto do prato, comemos mal, comemos caro, mas postamos por ser o restaurante da moda e o chef renomado.. se ninguém da mesa gostou? Deve ser algo conosco então, todo o mundo ama!


Perdemos nosso vocabulário com palavras rasas e definições vazias, pessoas são lindas, lugares incríveis e viagens são ótimas. De tudo ser tão belo, perdemos também nossas referências.


Esquecemos o que é o frio na barriga quando “não criamos expectativas” para quele encontro de sábado; ficamos esperando aquela mensagem de “bom dia”, mas jamais seremos o primeiro a falar .. afinal, temos que parecer que somos indiferentes àquele “bom dia” e que estamos bem sem ele, mas de tanto se ignorar, viramos estranhos de novo e, quando estivermos carentes, oi sumid@!

Viramos high-tech, e perdemos o high-touch, queremos ser bons de cama, mas sem nos entregar, alguém para sair no sábado, não para acordar no domingo, alguém para beijar, mas esquecemos de como nos abrir – e que possamos bloquear quando fica “sério demais”.. quem precisa se arriscar a sofrer por amor, não é?


Vivemos pelo post, pela foto, pela rede, nos deprimimos quando nossa vida não é igual a da influencer, nos culpamos quando não malhamos todos os dias e gastamos o que não temos para impressionar quem não conhecemos, trabalhamos do banheiro e vemos nossos queridos pela câmera … a vida é mesmo melhor off-line.


*Stalk e talk são expressões em inglês, que significam acompanhar obsessivamente alguém (stalk) e falar, conversar (talk).

8 visualizações0 comentário